- Você não vai acreditar!
- Hm..
- Encontrei o Rogério!
- Mentira?! Como? Aonde?
- Eu estava indo para o trabalho. Dez horas da manhã.
- Mas você não pega meio dia?
- Então, olha que loucura! Eu NUNCA saio de casa nesse horário e, justo hoje...
- Vai, conta.
- Tentei pegar o ônibus de sempre mas o motorista não parou. Um calor de matar leão.
- Ahm.
- Parei um outro ônibus de uma linha que eu nunca ando.
- Porra, isso se chama destino!
- Pois é. Aí quando eu entrei o ônibus estava cheio. Demorei uns minutos para conseguir pegar o vale e atravessar a roleta com as duas sacolas que eu carregava.
- Já conheço essa cena: você fica presa na roleta, uma bolsa vai e a outra fica. Aí você tenta voltar mas a roleta trava e, geralmente, o ônibus freia, né?
- É. Aí, quando eu ía sentar uma mão me pegou na cintura. Era ele. Eu demorei uns 15 segundos para reconhece-lo.
- Lindo como sempre?
- Feio. Horroroso como nunca vi.
- Não acredito.
- Ele está com o rosto fundo. Barba mal feita. Olheiras, acredita?
- Não pode ser a mesma pessoa. Ele era maravilhoso quando vocês eram casados.
- Pois é, vai ver ele era maravilhoso pq era meu marido!
- E a aliança? Ele ainda usa a aliança que deu para aquela vagabunda?
- NÃO!!!! Ela engravidou.
- Nossa, ele deve estar feliz então. Vai realizar o grande sonho.
- Não, ele está destruído mesmo. Ela engravidou de outro.
- Caráleo, quanta informação.
- Ela o traia com o primo do vizinho, acredita? E saiu de casa, grávida. Ele ficou com as dívidas e o armário. A cama ela levou.
- Hahahahaha!
- Então ele está trabalhando dobrado para tentar recolocar a vida no lugar.
- Meu Deus!
- E as roupas melhores que ele tinha ela rasgou em uma briga. Os copos de cerveja que ele tanto idolatrava ela jogou na parede. E até a TV ela destruiu, é mole?
- É mole não. É castigo mesmo. Depois de tudo que ele te fez. E vocês falaram alguma coisa sobre vocês dois?
- Claro que não. Eu só dei espaço para ele contar a desgraça que a outra transformou a vida dele.
- E depois?
- Depois de tudo dito ele levantou e saltou. Mas antes ele me deu um papel com o telefone dele.
- Cadê?
- Joguei fora, lógico. :)
- Aliviada por saber que ele se fudeu?
- Você nem imagina o quanto!
- Realmente, a vingança é um prato que se come frio.
(esclarecendo: encontrei com um amigo meu que acessa esse blog hoje no ônibus. Bruno, só pra te falar que o fato foi inspiração para o post mas você está MUITO mais gatinho do que quando te conheci - e você já era bem interessante, hahahahahahaha!!)
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