quinta-feira, 13 de maio de 2010
» LÁ VEM O TREM ...
Em uma dessas viagens que nós costumamos fazer de trem, sim, porque um trajeto de Santo André até a Estação da Luz não deixa de ser uma viagem, pois, temos tempo suficiente para meditar, pensar, analisar as coisas corriqueiras a nossa volta.
Percebi que algumas coisas mudaram, por exemplo, me parece, não estou bem certa de que ele cumpre os horários, outra coisa é que os trens agora têm ar condicionado, aliás isto já há algum tempo, os bancos estão até mais bonitos, e as pessoas talvez sejam as mesmas, claro que nem todas. Há anos atrás, o trem era o transporte mais barato, hoje porém, vejam se pode, está mais caro que os ônibus, R$ 0,10 a mais, mas para aqueles que dependem dele todos os dias, isto já faz uma diferença.
Mas não é a respeito disso que quero escrever. O que quero realmente compartilhar com o leitor é que no trajeto acima citado, observei várias empresas a beira da linha do trem, que estão caindo aos pedaços e estive pensando, poxa, há muitos anos atrás, o quanto essas mesmas empresas, ou melhor, esses depósitos, pois é o que parecem, empregaram diversas. Pessoas.
Naqueles tempos, era mais fácil ter um emprego, quantos trabalhadores deixaram seu suor ali para sustentar sua família, quantos conseguiram se aposentar e hoje, observamos apenas meros galpões ou depósitos vazios, destruídos, chega até doer o coração.
Outra coisa que observei e isto já é de tempos que acontece dentro dos trens, desde que não haja um segurança por perto, são as várias pessoas que vendem objetos desde balinhas, drops, manual para concurso público, rádio de pilha e etc, todos esses produtos por preços baixíssimos. Entrou um rapaz vendendo um desses manuais de concurso fazendo a propaganda do seu produto, inclusive, ele tinha voz de locutor, falava muito bem, claro, ele estava vendendo apostila de língua portuguesa, outro vendia suas simples balinhas, outro vendia frases de caminhão, recitava até algumas frases como por exemplo: Queria morrer dormindo igual ao meu avô e não gritando como as pessoas que estavam no ônibus que ele dirigia; Se casamento fosse estrada eu andaria pelo acostamento, e outras frases mais, então pensei, essas pessoas estão vendendo seu peixe, será que eu teria essa mesma coragem?
Sim, eles são muito corajosos, pois, enfrentam todo tipo de pessoas, gozações, mas eles são corajosos, porque deve ter alguém em casa que depende deles, então com essa falta de emprego que assola o Brasil, muitos se viram como podem, mas e o segurança dos trens? Eu sei que tem algo mais a ser vendido, por isso é proibido fazer comércio dentro dos trens, mas, deixa aqueles que trabalham honestamente vender seu peixe e sustentar seus familiares.
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