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By Juliana...
...não sou o red bud mais posso te levar ao céu...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A infelicidade quem vem do sexo

Durante centenas de anos, a maioria das religiões, principalmente as cristãs, se empenhou tenazmente em castrar as pessoas associando sexo e pecado. De bobagens como o mito de Adão e Eva até a lúdica história de uma virgem que engravida de um suposto Espírito Santo, a história do homem está pontuada de inúmeros exemplos de negação do prazer e da sexualidade. Gente foi queimada viva, torturada, banida simplesmente por não se negar o direito ao prazer. Outros tantos – principalmente as mulheres, sempre as maiores vítimas dessas aberrações – se anularam sexualmente em nome de Deus. O problema, claro, sempre foi o prazer que vem associado ao sexo, uma artimanha da natureza para nos motivar a se reproduzir.
Apesar de terem prejudicado e contribuído para a infelicidade sexual de milhões de seres humanos, nessa guerra contra o tesão as religiões sempre saíram perdendo. Por mais bobagens que tenham incutido nas mentes das pessoas, é impossível lutar contra uma força tão intensa da natureza, algo que é a base da própria existência humana.

Mesmos relativamente livre da castração religiosa, a insatisfação sexual e a consequente infelicidade que ela gera continua presente entre nós. Não são poucas as pessoas que se dizem insatisfeitas na cama em diversas partes do planeta. Excetuando-se os que padecem de alguma doença física, todo o resto tem sua sexualidade prejudicada por problemas de ordem emocional. E não é necessário um grande esforço mental para se inferir a origem dessas desordens psicológicas.

A sexualidade humana, como quase tudo em nossa sociedade, foi padronizada, qualificada e quantificada. Transformada em produto e numa das mais eficientes estratégias de marketing da atualidade, perdeu sua naturalidade e liberdade. Se os jovens das gerações passadas se viam sob o açoite da moral religiosa, os de hoje padecem sob a ditadura do sexo midiático.

A deturpação começa com a padronização do que é belo e atraente sexualmente. Nos anúncios publicitários, na TV e capas de revistas, desfilam mulheres magérrimas, corpos bronzeados e esculpidos a mão. Os homens, por sua vez, são sempre altos, musculosos e donos de um sorriso de garoto-propaganda de pasta de dente. Uma boa maquiagem, efeitos de luz, programas de edição de imagem e pronto: os deuses do sex-appeal estão criados, prontos para subjugar os pobres mortais.



Por mais que os terapeutas sexuais, psicólogos e médicos alertem para o quão fantasioso e irreal é tudo isso, fica difícil não sucumbir a tal propaganda, principalmente quando se é jovem. Numa sociedade extremamente erotizada, que privilegia o “corpão, a cama vem se transformando em palco de uma tremenda frustração para quem não apresenta medidas e desempenho próximos da perfeição. O resultado: um número cada vez maior de pessoas insatisfeitas com o próprio corpo, se achando feias e pouco atraentes.

Sob a pressão do desempenho e da ditadura da beleza, nos vemos usurpados de toda espontaneidade num dos poucos momentos da vida em que poderíamos e deveríamos ser nós mesmos. Infelizmente, há um modelo sexual culturalmente estipulado para que a pessoa se sinta feliz. Quem está fora do modelo é considerado retrógrado, frustrado e, consequentemente, infeliz.

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