Recuso-me a dormir. Porque o sono é um momento de interrupção e odeio cortes. Quero ser contínua, viver ininterruptamente, incessantemente. O corpo cansa, mas a mente ferve. Não quero o sono, quero a vida. Quando durmo, tenho a sensação de que deixei algo inconcluso. Os pensamentos não querem desligar as luzes, mas o corpo não atende aos seus desejos. Se não durmo, o corpo reage. Precisamos dormir. Precisamos descansar para começar tudo de novo. Não é possível manter-se acordado o tempo inteiro. Tudo ao redor é efêmero, mas eu não quero ser, por isso essa recusa. Enquanto durmo, minha vida fica em suspenso como se alguém apertasse o botão de pause, mas eu não quero pausar nada, por isso me debato, por isso sonho, para manter a mente desperta, mesmo que inconscientemente.Temos limites, mas o que quero é ser ininterruptamente contínua.

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