Não, isso não existe. Digamos que ter um relacionamento aberto é tão ou mais complexo quanto um relacionamento normal, já que envolve uma certa quebra nos padrões comportamentais “comuns”, digo, monogamia, envolve um exercício extremo e constante de controle de sentimentos como, ciúmes, possessão, egoísmo?
Historicamente o termo e o modelo de relacionamento se popularizaram com Sartre e Simone de Beauvoir, isso nos idos anos 20 (faz tempo... e até hoje o assunto é controverso), sendo que os relatos de ambos ajuda a compreender como isso pode ser viável.
Tecnicamente, relacionamento aberto é a relação afetiva estável em que os parceiros envolvidos concordam que relações extraconjugais NÃO são consideradas traição ou infidelidade.
Parece simples, cada um faz o que bem entender e tá tudo certo? Não, aí entra a parte complexa, pois pra se atingir esse nível de relacionamento é preciso confiança extrema no parceiro. Aí vem algum espertinho e pergunta: Quer dizer que não confio na minha parceira já que ela é MINHA e de mais ninguém?
Respondo o que: Não amigo, não é isso, sociologicamente e psicologicamente falando, sensações de posse são dominantes, não precisamos nos considerar trogloditas por não aceitarem essa situação, mas também não se deve recriminar quem tem essa visão dizendo que são pessoas libertinas, biscates, cornos e afins.
O grau de confiabilidade entre um casal que aceita as relações “extraconjugais” (sim, nesse caso com aspas), vem da sinceridade absoluta, confiança como já dito, e conversa, muita conversa, afinal não é só cada um sair com quem quiser e pronto, o casal define parâmetros, exemplo clássico é o swing, que consiste em troca de parceiros num mesmo ambiente, ou pode se encontrar exemplos em que o casal se satisfaz emocionalmente, mas sexualmente eles buscam a satisfação com outras pessoas, mas em todos os casos o parceiro tem total ciência do que acontece.
Existem relatos de que esse tipo de relacionamento contribui e muito para uma maior durabilidade, e quando não funciona, o motivo principal é uma falta de regras claras definidas pelo casal desde o início, entre eles o controle dos ciúmes. Essas relações paradoxais entre um relacionamento aberto e os ciúmes estão muito bem descritas por Catherine Millet, que cita a complexidade se manter um casamento aberto, em meio a uma vida sexual agitada e satisfatória, e os ciúmes de seu marido.
Ao conhecer melhor o padrão comportamental dessas pessoas, que conclusão chegamos? São apenas uns pervertidos? Eles atingiram um nível de controle dos sentimentos maior de quem é adepto de relacionamento monogâmico? Existe certo ou errado?
Esse papo vai longe ainda, imagino como deve ser bom poder ter a sua mulher, e na hora que o instinto chama, comunicar o fato a sua devida parceira e sair com aquela amiga gostosa sem ter problema de remorso depois. Difícil seria na hora que ela me comunicasse que transaria com aquele meu amigo, perfeito seria se ela não sentisse essa vontade também. Bom, o que seria o ideal pra cada pessoa?

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